USA, Alaska

Parque Nacional Wrangell-St. Elias: O Reino das Montanhas

Estabelecido December 2, 1980
Área 13,175 square miles

O Parque Nacional e Reserva de Wrangell-St. Elias é uma terra definida inteiramente por superlativos impressionantes e quase incompreensíveis. Com 13,2 milhões de acres (mais de 20.500 milhas quadradas), é o indiscutível maior parque nacional dos Estados Unidos. Para colocar isso em perspectiva: é do mesmo tamanho que o Parque Nacional de Yellowstone, o Parque Nacional de Yosemite e todo o país da Suíça combinados.

Este único parque abrange quatro distintas e enormes cordilheiras: as Wrangells, a St. Elias, a Chugach e a Alaska Range. Estende-se desde as ondas quebrando no Golfo do Alasca até o planalto interior alto e congelado.

Contém nove dos dezasseis picos mais altos dos Estados Unidos, culminando no Monte Santo Elias (5.489 metros) — o segundo pico mais alto tanto nos EUA quanto no Canadá, erguendo-se directamente do oceano numa elevação sem paralelo no continente. Além disso, protege o Campo de Gelo de Bagley, o maior campo de gelo subpolar da América do Norte, que alimenta dezenas de geleiras colossais que definem a paisagem de toda a região.

Uma Escala Impossível de Imaginar

Para compreender verdadeiramente a escala de Wrangell-St. Elias, é necessário invocar comparações. O parque tem mais da metade do tamanho do estado da Califórnia. As suas geleiras cobrem uma área maior que a Suíça. Tem mais picos acima dos 4.900 metros (16.000 pés) do que qualquer outro lugar dos Estados Unidos. A Geleira Malaspina, uma das maiores do mundo, cobre sozinha 3.900 km² — maior que o Estado do Rhode Island.

Poucos humanos viram mais do que uma fracção mínima deste parque. Não há estradas pavimentadas no seu interior (com excepção de duas estradas de cascalho que penetram alguns quilômetros desde as margens). Vastas extensões do parque não foram ainda exploradas de forma sistemática por nenhum geólogo, botânico ou zoólogo. É, em todos os sentidos práticos, uma terra ainda por descobrir.

As Geleiras: Rios de Gelo em Movimento

As geleiras de Wrangell-St. Elias são algumas das mais espetaculares e acessíveis da América do Norte. A Geleira Root, acessível por estrada de cascalho a partir da aldeia de McCarthy, pode ser explorada com guia ou de forma independente, caminhando directamente sobre a sua superfície de gelo com crampons. As crevasses azuis profundas, os moulins (poços esculpidos pela água de degelo), as torres de séracs (blocos de gelo instáveis) e a vista panorâmica das montanhas que rodeiam o glaciar criam uma experiência de uma intensidade geológica difícil de superar.

A Geleira Kennicott, que flui directamente para junto da histórica Mina de Cobre de Kennecott, é outra experiência notável — a vista de uma das maiores ruínas industriais do Alasca, diretamente à beira de um glaciar activo, é um contraste entre civilização e natureza de uma força visual única.

A Geleira Malaspina é uma geleira piedmont — um tipo de geleira que, ao sair das montanhas, se espalha numa vasta planície em forma de leque, como areia derramada de um funil. Com 65 km de comprimento e mais de 40 km de largura, é visível do espaço e é um dos fenômenos geológicos mais impressionantes da América do Norte.

A Mina de Cobre de Kennecott: Uma Ruína no Fim do Mundo

Um dos aspectos mais extraordinários de Wrangell-St. Elias é a presença, no seu interior remoto, de uma das ruínas industriais mais impressionantes dos Estados Unidos: a Mina de Cobre de Kennecott (nota: o nome está grafado de forma diferente da geleira homônima — um erro histórico que persistiu).

Descoberta em 1900 e operada entre 1903 e 1938, a mina de Kennecott explorou uma das maiores e mais ricas concentrações de cobre do mundo. Na sua época de maior actividade, a mina empregava 300 trabalhadores e processava centenas de toneladas de minério por dia. Para transportar o cobre até ao porto de Cordova, a Companhia de Cobre de Kennecott construiu 300 km de caminho de ferro através de alguns dos terrenos mais difíceis do planeta — atravessando rios glaciares, gânhoa e zonas de permafrost instável.

Quando o preço do cobre caiu e as reservas de minério de alta qualidade se esgotaram, a mina fechou subitamente em Novembro de 1938. Os trabalhadores saíram no último comboio com o que conseguiram carregar à mão, e tudo o resto — o escritório, a escola, o hospital, os alojamentos, o clube de ténis, a creche, a fábrica de processamento de 14 andares construída directamente na encosta da montanha — ficou para trás, exatamente como estava no dia da partida.

Hoje, Kennecott é um Monumento Nacional Histórico preservado pelo National Park Service dentro do parque. A fábrica de processamento vermelha de 14 andares, que parece estar a escalar a montanha por detrás dela, é uma das imagens mais icónicas do Alasca selvagem. Tours guiados permitem aos visitantes explorar o interior dos edifícios e compreender a escala extraordinária desta operação industrial num ambiente de isolamento absoluto.

McCarthy: A Aldeia no Fim da Estrada

A pequena aldeia de McCarthy, com uma população de apenas algumas dezenas de residentes permanentes, é o único centro habitado de qualquer dimensão no interior do parque. Acessível apenas por uma estrada de cascalho de 100 km que termina na margem do Rio Kennecott — onde uma passarela pedonal suspensa substitui a ponte que foi destruída por inundações —, McCarthy tem uma atmosfera de fim do mundo que a distingue completamente de qualquer outro lugar dos Estados Unidos.

O verão de McCarthy é uma festa de actividade: guias de aventura, pilotos de avionetas, alpinistas em expedição e turistas de caminhada enchem os seus poucos hotéis, pousadas e restaurantes. No inverno, a população reduz-se a menos de 20 pessoas, as estradas ficam impraticáveis e a aldeia regressa a um ritmo de vida fronteiriço de auto-suficiência e silêncio.

A Vida Selvagem: O Grande Norte

Wrangell-St. Elias protege populações de grandes mamíferos que poucos outros lugares do mundo conseguem igualar em termos de extensão de habitat e grau de perturbação. Alces, caribus, ursos-pretos, ursos-pardos (grizzly), lobos, wolverines, cabras-da-montanha-da-rocha e ovelhas de Dall habitam o parque em números que reflectem a saúde de um ecossistema praticamente intocado.

O urso-pardo (grizzly) é o predador de topo do parque e o animal mais emblemático do Alasca selvagem. Os rios de Wrangell-St. Elias, durante a migração do salmão, concentram ursos em números que raramente são vistos noutros lugares — uma cena que não mudou fundamentalmente desde os tempos pré-colombianos.

Quando Visitar

A janela de visita é estreita: de meados de maio a meados de setembro. Fora deste período, as estradas podem estar intransitáveis por neve, os voos de avioneta podem ser cancelados devido ao tempo, e muitos serviços e alojamentos estão fechados. O pico do verão (julho-agosto) é quando tudo está aberto e as condições de caminhada são melhores.

Perguntas Frequentes

Como chegar ao Parque Nacional Wrangell-St. Elias? O acesso principal é pela cidade de Glennallen, a partir da qual a Estrada de McCarthy se ramifica para leste. Glennallen é acessível de Anchorage por estrada pavimentada em cerca de 4 horas. Voos de Anchorage ou Fairbanks a McCarthy e Kennecott são operados por pequenas companhias de aviação regional.

É possível visitar o parque sem um carro 4x4 robusto? A Estrada de McCarthy é uma estrada de cascalho que requer um veículo em bom estado, pneus robustos e pelo menos um pneu de reserva. Não é necessário 4x4 em condições normais, mas a estrada pode ser difícil após chuvas intensas. Existem operadores de shuttles entre Glennallen e McCarthy.

Quais são as actividades disponíveis para visitantes não-alpinistas? Tours da Mina de Kennecott, caminhadas guiadas no glaciar Root, passeios de avioneta panorâmicos, rafting no Rio Chitina e caminhadas nas florestas e pradarias próximas de McCarthy são actividades acessíveis a visitantes sem experiência técnica de montanha.

O parque é perigoso? O isolamento extremo, a imprevisibilidade do tempo e a distância de qualquer serviço de emergência tornam o parque potencialmente perigoso para quem não está preparado. Informar alguém fora do parque sobre planos de caminhada, levar equipamento de comunicação por satélite e preparação meteorológica adequada são precauções essenciais.