Iceland

Parque Nacional Snæfellsjökull: A Joia do Oeste

Estabelecido June 28, 2001
Área 66 square miles

O Parque Nacional Snæfellsjökull é um lugar profundamente místico e visualmente cativante, muitas vezes referido como “A Islândia em Miniatura” porque encapsula quase todos os tipos de paisagens que a ilha tem a oferecer dentro de suas fronteiras. Localizado na ponta mais ocidental da Península de Snæfellsnes, a cerca de duas horas e meia de carro de Reykjavík, o parque é inteiramente dominado pela geleira Snæfellsjökull, que fica pesadamente sobre um estratovulcão adormecido.

Em um dia claro e nítido, o seu pico coberto de neve (1.446 metros / 4.744 pés) pode ser visto da capital, do outro lado da Baía de Faxaflói. Este vulcão icónico alcançou fama mundial como o cenário do romance clássico de Júlio Verne de 1864, Viagem ao Centro da Terra, onde os protagonistas descem pela cratera gelada do Snæfellsjökull para iniciar a sua aventura subterrânea. Mas para além da fama literária, o parque nacional protege um litoral de beleza extraordinária — praias acidentadas, falésias cheias de aves marinhas e campos de lava musgosos que se estendem até ao oceano.

O Vulcão e a Geleira: Uma Dupla Improvável

O Snæfellsjökull é um estratovulcão que entrou em erupção pela última vez há aproximadamente 1.900 anos, e que a maioria dos vulcanólogos considera ainda ativo, embora inativo nos tempos históricos. A sua cratera está coberta por uma calota glaciar com cerca de 14 km² de extensão e uma espessura máxima de aproximadamente 200 metros — uma combinação fascinante de fogo e gelo, a essência geológica da Islândia em miniatura.

O acesso ao cume do vulcão é possível com equipamento de neve e experiência adequada, e várias empresas locais oferecem expedições guiadas às crateras. A vista do cume num dia claro abrange praticamente toda a Península de Snæfellsnes, o Golfo de Breiðafjörður a norte com as suas centenas de ilhas e ilhéus, e, em condições excepcionais, até às geleiras do Vatnajökull no extremo este da ilha — uma vista de uma Islândia quase completa a partir de um único ponto.

A Misticidade de Snæfellsjökull

Além da sua fama literária verniana, Snæfellsjökull tem uma reputação de lugar de poder espiritual que atrai peregrinos e crentes de várias tradições desde há séculos. Muitos islandeses e visitantes internacionais consideram-no um dos sete “centros de poder” ou chakras da Terra, um lugar de energia especial e convergência cósmica.

O autor britânico Clive James descreveu a montanha como “assombrada por uma presença”, e Halldór Laxness, o único Nobel da Literatura islandês, ambientou partes do seu romance “Pé Descalço” (Sjálfstætt fólk) nas encostas desta montanha mística. Independentemente das crenças espirituais de cada visitante, há algo genuinamente inquietante e belo na forma como a geleira emerge das nuvens acima do litoral rochoso — como se pertencesse a um mundo diferente do nosso.

O Litoral: Uma Galeria Natural de Formas

O litoral do parque é uma colagem de paisagens geológicas diversas criadas pelas erupções vulcânicas ao longo de dezenas de milhares de anos. Os campos de lava de Lóndrangar — dois pilares basálticos de mais de 60 metros que se erguem diretamente do oceano como dedos negros apontando para o céu — são talvez a imagem mais icónica do parque. Formados pela erosão marinha de uma chaminé vulcânica muito mais antiga, estes pilares são colônias de nidificação para centenas de tordos e fulmares.

A Praia de Djúpalónssandur é uma das mais incomuns da Islândia: coberta de seixos pretos e cinzentos perfeitamente redondos e polidos pelo oceano, tem uma atmosfera de tristeza melancólica intensificada pelos restos enferrujados de um naufrágio britânico que emergem da areia. Quatro pedras de forças diferentes a beira da praia foram usadas durante séculos pelos pescadores locais para testar a aptidão física dos candidatos às tripulações dos barcos de pesca — quem não conseguia levantar a pedra mais pesada não era aceite.

A Vida Selvagem da Península

As falésias costeiras do parque são locais de nidificação para colónias impressionantes de aves marinhas. Em primavera e verão, os fraterculídeos (papagaios-do-mar), o mergulhão-de-pescoço-vermelho, o alcatraz do norte e numerosas espécies de gaivotas constroem os seus ninhos nas prateleiras rochosas das falésias, criando um caos sonoro e colorido verdadeiramente delicioso.

As baleias são presença regular nos mares ao largo da Península de Snæfellsnes. A baleia jubarte, a orca e o golfinho-comum são avistados com frequência nas excursões de observação de cetáceos que partem da cidade de Stykkishólmur, na costa norte da península.

As Atrações Culturais da Península

A Península de Snæfellsnes, que inclui o parque nacional na sua ponta ocidental, tem uma das densidades mais altas de sagas medievais islandesas de qualquer região do país. A Saga de Eyrbyggja, ambientada inteiramente nesta região, é um dos textos mais importantes da literatura medieval europeia — um relato de disputas familiares, batalhas legais e aparições de fantasmas que lança uma luz única sobre a sociedade Viking dos séculos X e XI.

As aldeias de pesca históricas ao longo da costa sul da península — Arnarstapi, Hellnar e Grundarfjörður — têm igrejas de madeira, museus locais e restaurantes que servem frutos do mar fresquíssimos. A pesca continua a ser uma actividade económica importante na região, e os barcos coloridos nos pequenos portos pitorescos fazem parte da paisagem tanto quanto a geleira no horizonte.

Quando Visitar

A Península de Snæfellsnes pode ser visitada durante todo o ano, mas as condições variam dramaticamente. O verão (junho a agosto) oferece luz do dia quase permanente, trilhas acessíveis e condições ideais para subir ao glaciar. O inverno (novembro a março) traz neve e gelo que tornam a condução mais desafiante mas a paisagem extraordinariamente bela, com a aurora boreal a iluminar a geleira nas noites claras.

A primavera (abril-maio) é a época das aves marinhas nidificantes, com as falésias a fervilharem de actividade. O outono (setembro-outubro) oferece luz fotográfica excelente, multidões reduzidas e a possibilidade de ver as auroras boreais das primeiras noites escuras após o longo verão ártico.

Perguntas Frequentes

Como chegar ao Parque Nacional Snæfellsjökull? A partir de Reykjavík, a península fica a cerca de 2,5 horas de carro pela Rodovia 54. Não existe transporte público regular até ao parque, pelo que um carro alugado é praticamente indispensável. Alguns operadores oferecem excursões de um dia a partir de Reykjavík.

Quando é possível subir ao glaciar? A subida ao glaciar é possível entre abril e outubro com equipamento adequado e, de preferência, com guia local. As condições da neve e do gelo variam significativamente de ano para ano. O parque não permite subidas sem equipamento de segurança.

O parque tem entrada paga? A entrada no parque é gratuita. Algumas atividades específicas, como excursões ao glaciar, têm custos próprios e devem ser reservadas antecipadamente durante a época alta.

É possível ver a aurora boreal a partir do parque? Sim, as noites claras de inverno no parque são excelentes para a observação da aurora boreal, especialmente nas áreas afastadas da vila de Ólafsvík ou Grundarfjörður, que têm alguma poluição luminosa.