Germany

Parque Nacional da Floresta Negra: Mitos e Lendas

Estabelecido January 1, 2014
Área 39 square miles

A Floresta Negra (Schwarzwald) é inegavelmente lendária. É uma paisagem tecida profundamente no tecido cultural da Europa — o cenário atmosférico e sombrio de João e Maria, Chapeuzinho Vermelho e incontáveis ​​outros contos de fadas coletados pelos Irmãos Grimm. Por séculos, ela foi famosa mundialmente pelos seus relógios de cuco meticulosamente criados, o seu bolo decadente embebido em aguardente de cereja (kirsch) e as suas pitorescas vilas com casas em enxaimel.

No entanto, apesar de sua imensa fama, a região carecia de uma verdadeira área selvagem estritamente protegida até surpreendentemente pouco tempo atrás. Não foi até 1º de janeiro de 2014 que o Parque Nacional da Floresta Negra (Nationalpark Schwarzwald) foi finalmente estabelecido.

Localizado nas extensões rochosas do norte da cordilheira, no estado de Baden-Württemberg, o parque cobre 39 milhas quadradas (10.062 hectares). Está dividido em duas seções distintas e separadas — Ruhestein e Hohen Ochsenkopf — conectadas pelas curvas sinuosas da Estrada Alta da Floresta Negra (Schwarzwaldhochstrasse), uma das rotas panorâmicas mais famosas da Alemanha.

Uma Floresta com Memória: Da Lenda ao Parque

A Floresta Negra deve o seu nome à densidade das suas florestas de abeto e pinheiro, que durante séculos criaram um dossel tão fechado que o interior da floresta permanecia em sombra permanente, mesmo durante as horas de maior luz. Esta escuridão alimentou o imaginário das populações locais e dos viajantes que atravessavam a cordilheira durante a Idade Média, gerando uma atmosfera de mistério que os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm souberam capturar nas suas compilações de contos de fadas publicadas entre 1812 e 1857.

Hoje, graças ao estabelecimento do parque nacional e à sua filosofia de não-intervenção, algumas zonas da floresta estão a recuperar um grau de naturalidade e complexidade que não viam desde a era pré-industrial. Árvores antigas — abetos com mais de 200 anos, pinheiros-silvestres seculares — convivem com clareiras abertas pela queda de troncos e com a vegetação pioneira que cresce exuberantemente onde a luz solar finalmente consegue penetrar.

A Filosofia da Selva: Natur Natur Sein Lassen

O princípio orientador do Parque Nacional da Floresta Negra é formulado de forma simples e direta: “Natur Natur sein lassen” — deixar a natureza ser natureza. Na prática, isto significa que nenhuma intervenção silvícola é permitida dentro dos limites do parque. Não há corte de árvores mortas, não há remoção de troncos caídos, não há combate a pragas de insetos, não há replantação de espécies comerciais.

Esta abordagem, inicialmente muito controversa tanto entre silvicultores como entre parte da população local que via a floresta “estragada” pelos escaravelhos e tempestades, tem vindo a revelar resultados ecológicos notáveis. As áreas onde a intervenção humana cessou há mais tempo mostram uma biodiversidade progressivamente crescente: mais espécies de cogumelos e fungos, mais invertebrados, mais aves insectívoras dependentes de madeira em decomposição, e uma regeneração natural de espécies de árvores mais variadas do que as monoculturas comerciais de abeto que dominavam antes.

A Fauna do Parque: O Regresso dos Tímidos

A fauna do Parque Nacional da Floresta Negra é discreta mas diversa. O corço e o veado-vermelho são os ungulados mais comuns, visíveis especialmente ao amanhecer e ao entardecer nas clareiras e bordas de floresta. A raposa, o javali, o texugo e a marta são outros mamíferos frequentes, mas raramente vistos durante o dia.

Entre as aves, o pica-pau-preto (Dryocopus martius) — a maior espécie de pica-pau da Europa, com um comprimento de quase meio metro — é o símbolo icónico do parque. Este pássaro impressionante, com a sua plumagem negra e a coroa vermelha brilhante, é completamente dependente das florestas antigas com muita madeira morta, onde escava cavidades profundas que depois são utilizadas por numerosas outras espécies — corujas, gralhas, morcegos — como locais de nidificação. Sem madeira morta, sem pica-paus-pretos; sem pica-paus-pretos, sem dezenas de espécies dependentes das suas cavidades.

O tetraz (Tetrao urogallus), uma das aves mais raras e ameaçadas da Floresta Negra, encontra no parque um dos seus últimos refúgios na região. Este grande galáceo de floresta, cujo macho pode pesar mais de quatro quilos, é extremamente sensível à perturbação humana e à fragmentação do habitat — razão pela qual as zonas mais sensíveis do parque têm acesso restrito durante a época reprodutiva.

Percursos e Actividades

Apesar da filosofia de não-intervenção, o parque tem desenvolvido uma rede de percursos pedestres e de actividades interpretativas que permitem aos visitantes explorar e compreender a floresta em evolução. A Wildnispfad (Trilha da Floresta Selvagem) é o percurso principal, com 60 km de extensão que atravessa os dois sectores do parque através de uma selva em diferentes fases de regeneração.

O Baumwipfelpfad — uma passagem aérea de 1,25 km de comprimento que conduz os visitantes ao nível das copas das árvores a até 25 metros de altura — é uma das instalações de eco-turismo mais inovadoras e populares da Alemanha. A partir desta perspectiva elevada, é possível observar a estrutura da floresta de um ângulo completamente diferente e compreender visualmente a importância das diferentes camadas de vegetação para a biodiversidade do ecossistema.

No inverno, o parque transforma-se numa paisagem de neve que atrai praticantes de esqui de fundo, raquetes de neve e passeios de trenó. O parque está incluído no sistema de pistas de esqui de fundo do norte da Floresta Negra, uma das mais extensas redes de esqui de fundo da Alemanha.

A Gastronomia da Floresta Negra

Uma visita ao parque não está completa sem a imersão na gastronomia regional, que é uma das mais ricas e identitárias de toda a Alemanha. O Schwarzwälder Schinken — o famoso presunto defumado da Floresta Negra, fumado a frio durante semanas com madeira de abeto — é produzido por métodos tradicionais que resistiram à industrialização. A Schwarzwälder Kirschtorte, o bolo de cereja bêbada com creme e chocolate, é provavelmente o produto gastronômico mais internacionalmente reconhecível da região.

Os relógios de cuco — fabricados artesanalmente em inúmeros ateliês familiares de Triberg e Furtwangen — são outro elemento indissociável da identidade cultural da região, com uma história de mais de 300 anos de tradição relojoeira.

Quando Visitar

O parque pode ser visitado durante todo o ano. A primavera traz o florescimento das primeiras plantas e a chegada das aves migratórias. O verão é a época de maior afluência, com as trilhas em plena operação. O outono oferece as cores douradas das árvores caducifólias misturadas com o verde permanente das coníferas. O inverno, com neve abundante nas zonas de altitude, é a época do esqui de fundo e das paisagens de um branco silencioso absolutamente evocativo.

Perguntas Frequentes

Como chegar ao Parque Nacional da Floresta Negra? O parque está bem servido de transportes públicos. A cidade de Freudenstadt, na margem norte, é acessível de comboio a partir de Stuttgart (1,5 horas) e de Karlsruhe (2 horas). A cidade de Offenburg, a oeste, serve de porta de entrada pela linha ferroviária do Reno. De carro, o parque fica a cerca de 90 km de Stuttgart e 120 km de Estrasburgo.

O acesso ao parque é gratuito? A entrada no parque é gratuita. O Baumwipfelpfad (passagem aérea) tem um custo de entrada. Algumas actividades guiadas têm preços próprios.

É possível ver lobos ou outros grandes predadores no parque? Lobos têm sido ocasionalmente documentados no parque e nas florestas vizinhas nos últimos anos, mas os avistamentos são extremamente raros. O parque tem, no entanto, um recinto de observação de lobos numa área específica onde animais habituados à presença humana podem ser observados em condições semi-naturais.

O parque é adequado para crianças? Muito adequado. A passagem aérea Baumwipfelpfad é especialmente popular entre famílias com crianças. Os percursos são geralmente bem sinalizados e tecnicamente acessíveis. Existem centros de visitantes com actividades educativas especialmente concebidas para os mais novos.